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  • Marcelo Camargo

A competição como método de treinamento

Atualizado: Jan 15

Por Marcelo Camargo


Muito se discute sobre os métodos conhecidos de treinamento na corrida:

longo, intervalados, fartlek, contínuos, mas pouco se discute sobre o método de competição que também faz parte do treinamento e negligenciado por muitos ou executado de maneira errônea.


Ao se inscrever em uma prova o corredor deseja frequentemente atingir o seu melhor resultado na competição e, dessa maneira, não consegue utilizar as competições como um meio para obtenção da meta final e a utilizam apenas como um fim em si mesma.


Ao estabelecer a meta final em um planejamento é fundamental determinar algumas provas controles que servirão como avaliação e ajustes do treinamento e então podemos classificar essas provas como método competitivo.


Para realização desse método como meio de treinamento e não como meta final de desempenho exige-se muito controle e precisão da carga aplicada e para que isso aconteça é fundamental o compromisso do corredor na execução correta do que for previamente planejado. Contudo, em muitos casos observamos atletas negligenciando e “chutando a balde” na competição.


Uma das razões é que no momento de competir sempre existe o confronto pessoal e entre os participantes, mas o atleta deve estar ciente que está ali apenas subordinado ao desenvolvimento da tarefa.


O corredor não deve esquecer que aquele momento será um treino especifico e caso isso aconteça, a carga aplicada poderá refletir negativamente em toda a sequência do treinamento, comprometendo a meta final desejada, principalmente porque a dificuldade desse método está na limitação de direção do atleta durante a prova, assim como a dosagem e controle da carga.


Durante as competições se manifestam diversos hábitos e capacidades motoras de formas e situações diferentes a realizadas em treino isolados e, segundo Weineck (1996), são alcançadas condições funcionais dos sistemas que normalmente não são encontradas no treinamento normal. A participação regular em competições contribui para uma melhora da condição de treinamento principalmente para os atletas que já estão em alto nível. Essa carga “a mais” possibilita novos distúrbios de homeostase, com mecanismos de adaptação correspondentes.


Porém a mesma situação não pode ser empregada ao corredor iniciante com pouca vivência em provas, já que nesse caso, a sequência em competições gera um processo contrário ao esperado, pois normalmente os corredores negligenciam o tempo de recuperação pós prova e segue o treinamento nas semanas subseqüentes rumo à próxima competição.


Segundo Gomes (2009), a aplicação do método competitivo na etapa inicial de aprendizagem ou com baixo nível de desenvolvimento das capacidades motoras não é aconselhável, pois o resultado pode ser negativo.


O método de competição tem também como objetivo resolver diversas tarefas e assim adquirir experiência através dos erros e acertos. É um treino extremamente complexo, já que executa todas as condições especiais simultaneamente.


Entende-se por condições especiais aquela que realizamos especificamente em uma competição:


Mecânica de Corrida: Para cada método de treino utilizamos uma velocidade diferente, tempo de contato do pé com o solo diferente, freqüência de pisada e amplitude de passadas também diferentes, sendo assim, o que aplicamos em prova normalmente não realizamos em treinos.


Ritmo de corrida: É justamente durante uma competição que aprendemos, utilizamos e aprimoramos o desenvolvimento do componente tático na corrida, esse componente é essencial ao resultado e somente adquirido após anos e muitas participações em competições. A velocidade de corrida empregada em prova é diferente do ritmo realizado durantes os treinos e neste método podemos aprimorar a especificidade da velocidade para provas futuras.


Hidratação: Por vezes em treinos negligenciamos a hidratação de maneira correta. Às vezes carregamos peso extra como mochilas, bolsas e garrafas ou temos dificuldades nesse abastecimento. Em provas oficias, faz parte do regulamento a hidratação adequada em postos obrigatórios. Portanto, cabe nesse momento elaborar uma boa estratégia e realizar a hidratação adequada com menor dificuldade em relação aos treinos.


Tangente: Entende-se como tangente uma reta que passa por uma curva sem cortá-la. As provas oficialmente aferidas apresentam a menor distância no qual o corredor irá percorrer da largada até a chegada.

Em treinos, não nos preocupamos com isso já que o GPS registrará a distância percorrida aproximada, então é fundamental que o atleta saiba aproveitar as tangentes, caso contrário ao final da prova terá percorrido uma distância maior e perderá minutos preciosos em seu tempo.


Atenção e concentração: Rützel (1997) define atenção como um processo de seleção focalizada e fixada a um estímulo especifico e Schubert (1991) complementa como sendo esse estímulo a um objeto, pessoa ou ação. Mas não basta dizer ao corredor pra ele se concentrar. É preciso aprender como, quando, com qual intensidade e também aprender a se concentrar por um período prolongado de tempo. Por vezes, treinamos dispersos conversando com amigos, ouvindo musica, observando a paisagem. Em competições aprendemos a focar, fixar e ter atenção necessária para não errar.


Uma infinidade de características é vivenciada em competições diferentes das encontradas em treinamento. Reparem que a cada prova o corredor está melhor, mais experiente e com melhores resultados. Isso acontece devido aos ajustes que vamos fazendo através da correção dos erros presentes durante uma prova.


Em alguns casos, corredores optam somente por apenas uma competição importante ao longo do treinamento, assim o aprendizado e aquisição de experiências não são desenvolvidos e ao chegar à importante prova, erros são cometidos – erros que poderiam já ter sido vivenciados e corrigidos evitando prejudicar o resultado final.


A obtenção de um bom desempenho dependerá da aquisição de uma maestria esportiva adquirida ao longo dos anos, ou seja, dentro de um treinamento a longo prazo, as competições desempenham papel fundamental na preparação do corredor. No entanto devo observar que a participação exagerada em competições pode levar o atleta a se acostumar com a situação e assim não ser mais suficiente estimulado, o que prejudicaria a validade desse método.


Finalmente, a competição representa a forma mais especializada de controle de todos os fatores que determinam o desempenho e indica se a estrutura e a metodologia do treinamento foram escolhidas e executadas corretamente. Caso contrário, todo o processo de treinamento deverá ser reestruturado em busca da melhor performance.


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"Em um sábado qualquer, depois de um treino longo, encontrei um amigo e ele me perguntou se eu gostava da "assessoria virtual".

Respondi prontamente que sim.

Em casa, após refletir um pouco, concluí que o trabalho do Marcelo está bem longe de ser "virtual".

Apesar de ser à distância, é um acompanhamento sério, individualizado e profissional, talvez mais próximo do atleta do que um treinador presencial.

E ainda temos a oportunidade de correr junto com o professor e confraternizar com os colegas de assessoria ao longo do ano, nas provas "oficiais” MCT."

(Leonardo Melo - Belo Horizonte/MG)


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