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Fartlek não é treino intervalado

Por Marcelo Camargo


Vamos direto ao assunto e definir que fartlek e treino intervalado são métodos completamente diferentes.


Fartlek é um método de treinamento que alterna distâncias, intensidades e tipo de terreno de acordo com a disposição do atleta e segundo Tubino (1984), pode ser definido como jogo de corridas.


A tradução vem do sueco fartlöpning (correr) e lek (brincar).


Sendo assim, a principal característica do fartlek original é a realização de um treino livre, sem controle. O que prevalece é a vontade e disposição do corredor que tem a liberdade de variar a velocidade sem planejamento prévio, regras ou sistematizações, além de variar também o tipo de terreno (asfalto, grama, areia, terra batida) e o tipo de plano como aclives e declives. Tudo isso feito sem controle ou rotina.


Segundo Pogere (1998), o método intervalado é a aplicação repetida de períodos de esforço e períodos de recuperação incompleta, de modo alternado, com repetições e tempos, todos controlados metodologicamente. A principal característica do treinamento intervalado é o planejamento, sistematização e controle da sessão de treino através das variáveis distância, tempo, número de séries e repetições, intervalo e ação do intervalo.


O método fartlek, onde tudo é permitido, mas nada é obrigatório não é uma das melhores opções para aqueles que gostam do controle total do treino.

Caso o atleta goste deste método e queira incluir em sua rotina de treinos, o interessante seria aplicá-lo durante o período de base, em que o controle de treino não necessariamente precisa ser tão rígido como no período específico, período este que o atleta deverá ser sistemático no controle do treinamento em busca de um resultado pré estabelecido para a conclusão de uma prova.

Caso contrário, realizar treinos sem controle, justamente no momento que o atleta mais necessita de direcionamento, seria um dar “tiro no escuro” às vésperas de uma competição.


O método fartlek é ótimo para os que não gostam de controle rígido no treinamento ou aqueles que não gostam de treinar. Afinal, correr é diferente de treinar.

São treinos que fogem da monotonia e rotina do controle sistemático e com isso em alguns casos, aumentam a motivação e interesse pela prática e regularidade semanal da corrida.


Durante uma prova observamos com frequência, a fuga de alguns atletas do pelotão de elite em determinados pontos do percurso, tentando forçar uma escapada e assim alternando e aumentando sua velocidade de corrida.

Corredores que não fazem parte do pelotão de elite, mas que tem adversários freqüentes em competições, também utilizam essa variação da velocidade com o mesmo propósito e intenção de concluir em melhor colocação.

Dessa forma conseguimos ter uma transferência do método fartlek para a realidade de uma prova – preparar o atleta para as mudanças de ritmo que por vezes acontecem durante as corridas, seja no momento de fuga ou em um momento de manter a proximidade do adversário.


A aplicação do treinamento intervalado durante uma prova não é exatamente o que realizamos no treinamento.

Treinos intervalados obrigatoriamente são realizados acima do limiar anaeróbio, em velocidades maiores ao ritmo que conseguiríamos manter durante uma corrida contínua de maior distância e duração.

Utilizamos esse método de treino com a finalidade de melhorar a capacidade física velocidade do corredor. A transferência desse método para prova após um determinado período de treinamento passa a ser, então, a realização de uma corrida contínua com melhor performance quando comparado a seu último melhor desempenho, mas nunca a realização de uma corrida alternada com caminhada.


Quando observamos corredores durante uma competição alternando trechos de corrida (normalmente sprints) e trechos de caminhada, geralmente acontecem pelo fato de não estarem treinados, preparados e aptos para cumprir determinada distância ou ritmo e assim tomam essa atitude acreditando que seria a melhor opção, porém não é.

Se o participante não está preparado para correr continuamente uma distância em um determinado ritmo é melhor não se arriscar neste momento e como sugestão deverá priorizar o treinamento com mais dedicação e tempo disponível até a próxima prova.

Acredite: um corredor que utiliza o mecanismo de sprints e recuperação durante uma prova não terá o mesmo desempenho se corresse continuamente em um ritmo coerente a distância da prova.


A literatura nos mostra diversas variações para o treino fartlek, algumas inclusive com controle de carga, como o fartlek dirigido, onde as variações de distância, ritmo, terreno e planos podem ser pré estabelecidas pelo treinador.

Essa variação do fartlek é excelente quando realizado, por exemplo, em esteiras utilizando o controle do tempo, velocidade e inclinação.

Outras variações do fartlek possibilitam a inclusão de exercícios educativos, durante a sessão de treino.


O método de treino intervalado apresenta também algumas variações, entre as mais conhecidas e aplicadas estão o intervalado extensivo e o intervalado intensivo. A diferença entre eles está na caracterização entre estímulo aeróbio ou anaeróbio que são determinados pela duração, distância e intensidade.

Diferente do fartlek original que não tem esse controle ou preocupação.


Para grupos de amigos e assessorias de corredores, uma ótima opção é o fartlek líder, onde é possível a formação de um pelotão do mesmo nível (ou não) e a cada momento um deles será determinado líder e puxará o treino e o percurso. Será uma brincadeira como o próprio nome do método nos apresenta: brincar de correr.


Lembrem-se sempre. Dependendo de como for aplicado, o fartlek poderá ser um método sem controle total da carga imposta no treino e quando buscamos alterações positivas no organismo para a melhora do desempenho, é fundamental que o treinamento seja planejado, organizado e sistematizado do inicio ao fim, baseado nas capacidades individuais e reais possibilidades de acordo com a meta final definida previamente e, se possível, em longo prazo.


Para fazer parte do grupo Marcelo Camargo Treinamento Entre em CONTATO

Depois de ficar de recuperação em Educação Física quando criança por não saber jogar bola, eu tinha certeza que esportes não eram pra mim, até conhecer a corrida. Buscava melhorar o desempenho no que passou a ser “meu” esporte, mas, além de não alcançar a evolução desejada, ainda cheguei a me lesionar algumas vezes.


Através de um podcast, eu e meu esposo descobrimos o treinador Marcelo Camargo, que falava com a propriedade de quem treina e estuda corrida há bastante tempo. Ao começar a treinar com o Marcelo, em junho de 2018, tinha boas expectativas, mas não imaginava que os resultados viriam tão rápido. Como diz o treinador, “corrida é matemática”, e, com a disciplina em cumprir cada treino conforme suas orientações, baseadas nos princípios do treinamento esportivo, as metas foram alcançadas bem antes do que eu havia estipulado - e sem lesões!

(Sandy Falcão - Quixáda/CE)

https://www.instagram.com/sandyfalcao/?hl=pt-br

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