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  • Marcelo Camargo

Na semana da prova a ansiedade paira no ar

Atualizado: 18 de Set de 2019

Por Marcelo Camargo


A psicologia do esporte representa uma das disciplinas das ciências do esporte e constitui um campo de aplicação da psicologia.


A grade curricular de uma faculdade de educação física é muito abrangente e durante um ou dois semestres discutimos essa disciplina.

Essa explicação é apenas para esclarecer que não sou nenhum especialista nesse ramo, mas que este conteúdo faz parte da formação do profissional em educação física assim como uma complexa gama de conteúdos.


Segundo Nitsh (1986), a função da psicologia do esporte consiste na descrição, explicação e no prognóstico de ações esportivas com o fim de desenvolver e aplicar programas, cientificamente fundamentados, de intervenção levando em consideração os princípios éticos.


Muitas pesquisas são feitas na área da psicologia esportiva como ansiedade, motivação, estresse, personalidade, agressão, emoção e liderança, porém somos carentes de estudos detalhados destinados a corredores de médias e longas distâncias.


Segundo Cratty (1984), o termo ansiedade se refere a uma apreensão debilitante durante certo período de tempo e classificadas como “ansiedade de traço” que está associada à personalidade e a “ansiedade de estado” que está associada à reação de um indivíduo perante a uma situação. Ou seja, o estado emocional que pode ser de tensão, nervosismo, preocupação ou medo. Essa ansiedade de estado pode ser considerada negativa quando se encontra em níveis elevados e extremamente desagradáveis ao corredor.


Existem algumas teorias para tentar explicar a relação entre ansiedade e desempenho motor. Entre elas está a teoria do “U” invertido onde, tanto níveis muito baixos como elevados de ansiedade resultam em um desempenho igualmente baixo. Para que o atleta tenha nível ótimo de desempenho em uma competição é necessário que tenha certo grau de ansiedade, mas que não seja nem oito nem oitenta. Daí a relação com o “U” invertido, onde cada uma das extremidades está associada a esses graus extremos (baixo ou alto de ansiedade).


A ansiedade pode aumentar antes da competição, diminuir durante e aumentar novamente pós prova. Na maior parte dos casos, os atletas que estão sobre tensão potencial temem mais a derrota ou a incapacidade de cumprir a tarefa desejada por

causa das conseqüências no seu ambiente do que sobre danos físicos que eles possam sofrer com a prática do esporte. Ou seja, a maior ansiedade do corredor pode estar associada ao que os outros irão pensar sobre o baixo desempenho ou tarefa não realizada e também a sua autoestima que poderá diminuir caso não consiga alcançar o resultado esperado.


Ter vivência e experiências em competições pode deixar o atleta preparado em um ponto ótimo de ansiedade que não irá prejudicar seu desempenho

Um corredor ciente que está bem preparado para a prova, pode apresentar um nível de ansiedade mais baixo que outro mal preparado o que pode representar ao primeiro um bom desempenho na competição. Dessa forma se sentem mais confortáveis com a proximidade da prova e sempre estão com o alerta ligado e o pensamento positivo na competição e caso não ocorra nenhuma intervenção externa que os prejudiquem, estes conseguirão ótimos resultados.


Devemos sempre lembrar da Teoria do “U” invertido, onde atletas com nenhuma ansiedade podem apresentar mal desempenho na prova devido à indiferença em alguns aspectos importantes pré e durante uma competição como:


1 - Mal aquecimento prévio;

2 - Inexistência de preocupação com adversários;

3 - Ausência de preocupação quanto ao seu rendimento e estratégias;

4 - Não ter metas ou objetivos;

5 - Não se esforçar em seu limite real.


Apreensão, nervosismo e preocupação com o rendimento, são os principais fatores de níveis de ansiedade alterado ou aumentado e que pode levar o corredor a cometer alguns erros na prova:


1 - Largar em um ritmo forte, sendo influenciado também pelo impulso natural de acompanhar o ritmo dos corredores mais rápidos ou quem sabe mais ansiosos e sabemos que grandes partes dos fracassos em provas longas são decorrentes de largadas fortes e fora de controle.

2 - Deixar de lado a estratégia planejada para a prova;

3 - Esforçar-se além do seu limite treinado, o que poderá causar possíveis lesões.

Algumas técnicas intervencionistas utilizadas por psicólogos do esporte podem ser utilizadas com o objetivo de ajudar os atletas a alterarem seus níveis de ativação e melhorar seus estados emocionais e consequentemente contribuir para um melhor desempenho, o que parece ser muito promissor, uma vez que muitos atletas têm sido inadequadamente preparados e orientados do ponto de vista psicológico para as competições.


Existe uma relação entre ansiedade, idade e vivência na modalidade. Essa diminui gradualmente com a idade e com a experiência adquirida. Sabemos que os níveis de ansiedade se elevam durante os últimos anos da adolescência 17-20 anos, tendem a diminuir aos 30 anos e aumentam novamente após os 60 anos. Ter vivência e experiências em competições pode deixar o atleta preparado em um ponto ótimo de ansiedade que não irá prejudicar seu desempenho, mas sim manter-se ativo para a tarefa a cumprir.


Segundo Cratty (1984), Frischnecht (1990) e Machado (1997), não é incomum os atletas se sentirem nervosos antes de competições, já que sua autoimagem ou autoestima dependem do seu desempenho nestas competições. O importante é estar ciente que, se está bem treinado e preparado para a competição e meta desejada basta manter-se ativo mentalmente para a prova que se aproxima e o resultado virá. A ansiedade não deve ser totalmente eliminada, mas simplesmente ser controlada, de maneira a não ser aspecto negativo no seu desempenho.


Já para aqueles que se sentem pouco treinados para a tarefa, de nada adianta apresentar alto nível de ansiedade, além de prejudicá-lo no dia da prova, não há mais o que fazer a não ser preparar melhor para a próxima vez com um tempo hábil até a competição alvo e dessa forma a ansiedade será remediada. Portanto, vá para a prova, divirta-se e ganhe mais algumas passadas de experiência. Aprenda com os erros, corrija-os no próximo ciclo de treinamento e tenham bons resultados nas próximas provas.


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André Dias - Brasilia/DF

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