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  • Marcelo Camargo

Qual é a função da rodagem?

Por Marcelo Camargo


Na linguagem “corredorística”, rodagem é o treino leve da semana e talvez seja o mais prazeroso para alguns. Confesso que não gosto de fazer essa tal rodagem, mesmo sendo necessária. Pessoalmente, prefiro os treinos intensos ou os longos.


A maioria dos corredores que treinam sem orientação, realizam muitas rodagens e alguns fazem apenas esse tipo de treino, participam de provas, continuam treinando e depois de um certo tempo percebem que o seus resultados não melhoram.


Eis a questão! Qual a função da rodagem?


É preciso conhecer a caracterização de um método de corrida para entendê-lo e saber se sua aplicação e execução está sendo feita de maneira correta ou não.


O método de corrida contínua (rodagem) é caracterizado como um método sem interrupções em que os componentes da carga são sempre menores em relação ao método longo. Ou seja, duração, volume e intensidade sempre menores, exceto a freqüência semanal, já que essa sim, poderá ser maior.


A rodagem é o treino ideal para aumento da quilometragem semanal, talvez com menor risco de lesões devido a baixa intensidade e é utilizada, em geral, como complementar ao treinamento e não como prioridade.

Nesse ponto, abro uma exceção à metodologia do treinamento e entendo que corredores iniciantes ainda não conseguem manter em exercício contínuo durante muito tempo e assim precisam intercalar entre corrida e caminhada a sua atividade. Para esse perfil de corredor, o método contínuo passa a ser uma prioridade e não um complemento, até chegar o momento em que consiga evoluir, inserir novos métodos, aprimorar o rendimento e então passar a utilizá-lo como complementar ao treinamento.


Em uma semana (microciclo) de treinos regulares, os corredores já “rodados”, utilizam a “rodagem”, como treino complementar, principalmente intercalando-os entre treinos intensos (intervalados) e o treino longo.


Uma boa regra a seguir é: dias pré ou pós treinos intensos ou longos é obrigatório uma folga ou no máximo um treino contínuo. Não é coerente realizar dois treinos intervalados e/ou longos em dias consecutivos. Considere que este treino deverá ser realizado em uma intensidade menor que a realizada no treino longo e menor também que a velocidade dos intervalados.

A literatura nos mostra que essa intensidade deverá estar em torno de 50% a 60% do VO2 máx, porém como é difícil predizer com exatidão qual velocidade seria correspondente a esse percentual, podemos definir simplesmente que será menor que os demais métodos, ou seja, é o treino menos intenso da semana, o mais leve.


A duração também não poderá ser prolongada, pois cargas mais altas não servem ao objetivo de compensação e levariam, por exemplo, a um elevado gasto de substratos e desgastes musculares, desnecessário nesse momento, já que a idéia é poupar e recuperar o atleta.


Seguindo essas orientações, o corredor poderá previamente manter-se ativo, treinar e ao mesmo tempo poupar o organismo para o treino "forte"(intenso) ou longo que virá no dia seguinte.

A mesma idéia serve para o dia pós treino, ou seja, se recuperar do treino realizado, utilizando apenas uma “rodagem” ou então optando por uma folga. Dessa maneira os métodos durante a semana ficarão melhores distribuídos, executando todos de maneira eficiente dentro dos objetivos propostos a cada um e não mais realizar apenas treinos contínuos no dia a dia.


É importante também lembrar que esse tipo de método pode ser aplicado ao longo do ano durante todos os períodos de treinamento, seja na base, no período especifico e até mesmo no período competitivo.

Caso o corredor não consiga se afastar completamente das corridas, esse método é o único recomendado no período de transição ou pós-competições.


Em determinadas situações, prefiro que o atleta descanse por completo, física e mentalmente, do que vê-lo fazer uma “rodagem”, mas cada caso é um caso e não devemos considerar que o mesmo plano de treinamento seja igual para todos os corredores.


Muitas vezes “achamos” que não treinar é perder, quando na verdade a folga (Day OFF) faz parte do treinamento.

Em outras situações opto pelo treinamento contínuo, já que a literatura nos mostra que durante uma recuperação ativa ocorrem processos de aceleração na remoção de metabólitos produzidos pela corrida, inclusive citando que em alguns casos na recuperação ativa , o tempo de eliminação do lactato pode chegar até um terço menor que na recuperação passiva.

Esse tipo de recuperação é muito válido para atletas que treinam em duas sessões diárias e principalmente para a realização de uma rodagem mais leve, ou trote, logo após a finalização de uma sessão de treino intervalado.

Portanto, a rodagem tem suas funções claras e bem definidas, tão importantes quanto a dos outros métodos, cada qual com seu papel. Cabe a cada um, saber aplicá-la de maneira correta e no momento certo, para que a somatória de treinos tragam bons resultados.


Você tem alguma dúvida sobre treinamento ou quer a opinião do Marcelo?

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"Só descobri o significado de treinamento de corrida em janeiro de 2019, quando ingressei na Assessoria Marcelo Camargo Treinamento.

Antes, a corrida era simplesmente um caminho percorrido entre dois pontos. Corria por correr... Calçava o tênis e corria (pouco) até o corpo dar sinais de que era hora de parar.


Hoje, graças à experiência do Marcelo, e ao treinamento individualizado que ele oferece, entendo que correr implica em uma infinidade de cuidados, prazerosos, a serem tomados: Seguir aos treinamentos prescritos, no ritmo predeterminado, atentar para o fortalecimento, respeitar o descanso, dentro outros.

Um corredor que não treina não sabe aonde pode chegar."


Aline Nascimento - Belo Horizonte/MG

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Foto Circuito das Estações - Etapa BH


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