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  • Marcelo Camargo

Treinar para Treinar

Por Marcelo Camargo


Recentemente recebi a seguinte pergunta: “Faço treino de tiros, mas sinto que não consigo muito melhorar o meu pace. Parece que, apesar de todos os treinos, tem uma hora que estaciona. Tem alguma estratégia que possa seguir?”


Surgem outras duvidas para responder essa questão e a resposta parece ser mais complexa que a pergunta.

Que tipo de “tiro” você quer melhorar?

Qual é a distância dos estímulos?

Qual é a freqüência semanal desse treino?

O pace está correto para a distância que você está percorrendo?

A pausa entre os estímulos está correta?

O número de repetições está adequado?

Quais são os treinos do dia anterior e posterior a esses “estímulos”?


É necessário organizar os treinos de maneira coerente com uma metodologia adequada a cada perfil de corredor e prova alvo.


O principio da treinabilidade nos diz que “quanto mais treinado, menos treinável”.

Mas o que define ser muito treinado? Tempo de treinamento? Freqüência semanal de treinos? Resultados em provas?


A solução a essa dúvida depende de muitos fatores.


Primeiro é necessário entender que o treinamento é um processo que favorece alterações positivas ao estado físico e, sabendo disso, é preciso avaliar se os treinos estão estagnados ou até mesmo em processo de destreinamento.


Muitas vezes achamos que ao treinar para uma maratona bastam treinos de rodagem com durações longas, volumes elevados e deixamos completamente de lado os treinos intervalados que tanto nos favorecem com a melhora da velocidade e do VO2.


Achamos também que para melhorar o tempo em provas de 5 km ou 10 km, bastam muitos treinos intervalados e poucos longos que tanto nos favorecem com a aceleração da recuperação entre as sessões de treinos.


Pior ainda é achar que bastam treinos de rodagem ou longos para melhorar o desempenho nessas distâncias.

Se você não acha nem uma coisa nem outra e faz todos os tipos de treinos de maneira organizada e sistemática, está no caminho correto.

Para cada tipo de prova e perfil de corredor devemos ter uma variação de treinos, onde cada sessão de terá características e objetivos diferentes e específicos, para que dessa maneira, possamos organizar uma semana dentro de uma metodologia específica a cada prova.


Treinar de maneira aleatória mesmo que durante anos não nos diz que estamos treinados. Todos esses anos de treinamento podem não ter provocado alterações positivas no corpo da maneira ideal ou esperada, fazendo com que não se tenha alcançado o limite de treinabilidade (se é que tem um limite).


O treinamento da corrida deve ser metódico, organizado, sistemático e planejado.


Você acha que um atleta campeão olímpico de salto ornamental, ginástica olímpica, salto triplo, lançamento de dardo, tiro ao alvo e todas as demais modalidades tiveram seus treinos realizados de maneira aleatória?


Quer ser bem treinado e atingir o ápice da performance?

Organize seus treinos.


Irei complicar essa organização:

Qual volume ideal de treinos para uma pessoa que irá correr uma maratona?


E se a pergunta for ainda mais complexa:

Qual o volume ideal de treinos para quem vai correr uma maratona em 4 horas?

E para quem vai fazer em 3 horas ou 2 horas e 45 min?

Se responder que é o mesmo volume para todos os casos, está enganado.


Mas qual seria esse volume então?

Não irei responder a essa pergunta, mas sim deixar esse questionamento para que compreendam o quão complexo é o treinamento de corrida.


Direciono o caminho da resposta afirmando apenas que, para cada meta diferente, um volume diferente, velocidade diferente, freqüência semanal diferente e duração diferente de treinos deverão ser planejados.


Para melhorar o rendimento de um corredor e deixá-lo bem treinado é preciso treinar para treinar. Um treino irá ajudar e complementar o outro.


Quer melhorar o pace nos “tiros” de 1 km?

Então melhore sua velocidade nos “tiros” de 800 m.


Mas como fazer para melhorar a velocidade nos “tiros” de 800 m?

Melhore a velocidade nos “tiros” de 600 m e nos de 500 m e 400 m e 300 m e 200 m.

Um treino melhora o rendimento do outro. A lógica é simples. Porém, esse processo demora alguns meses. Se você melhorar sua velocidade nos “tiros” curtos, vai melhorar os “paces” dos tiros mais longos, ou seja, estará treinando para treinar e, consequentemente, vai melhorar seu tempo nas provas.


“Mas meu objetivo não é melhorar meu tempo em provas!”

Então esqueça a metodologia do treinamento, pois estamos falando em treinamento, em que buscamos alterações positivas e não estagnações. Ficar estagnado ou destreinado não é treinamento.

Se você pratica a corrida como lazer, diversão ou apenas como uma atividade física, as alterações positivas poderão acontecer sim, mas nesse caso estarão ligadas somente as características cognitivas e sócio afetivas.


“Se hoje fiz um treino intervalado, o que farei amanhã?”

Se um treino é complementar ao outro, o ideal é que se faça um treino leve de rodagem no dia pós treino intenso ou no dia que antecede esse tipo de treino. Pode ser até mesmo uma folga completa. Assim você guardará energia para o treino que virá e você se recuperará com mais facilidade pós treinos intensos.


Caso faça treinos intervalados em dias consecutivos, provavelmente não terá tempo suficiente de recuperação e assim as alterações não serão positivas podendo levar até mesmo a um destreino.


Muitas vezes dizem que complico o simples fato de correr, porém penso que o caminho da organização é o melhor caminho para a busca da excelência. Muitos também acreditam que fazer qualquer coisa de qualquer maneira também levará a um resultado.


E me pergunto: esse seria o melhor resultado que poderia ser alcançado e ainda com menor risco de lesão caso houvesse uma organização?


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